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Cozinha Ritualística

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Cozinha ritualística.
Também conhecida como cozinha de santo, tradição e sabor.



Todo terreiro que se preze, seja de Umbanda ou de Nação, tem a sua cozinha de Santo. Não necessariamente um espaço físico, mas quando se diz uma “cozinha de Santo”, é o respeito e conhecimento desta deliciosa tradição. Uma pessoa deve ser a responsável por esta “cozinha”, uma Iabassê ou Ogã de cozinha, que conhece as preferências dos Orixás e sabe dos preceitos sagrados para o preparo das comidas.


A maioria dos Orixás foram Reis, em tempos imemoriais, e, portanto, a forma de servir a comida deve observar toda a pompa e a realeza que o assunto exige, além é claro de conhecer certas proibições, chamadas de “quizila”, que nada mais é do que alguns alimentos ou temperos que determinado Orixá não gosta ou faz alusão a alguma passagem negativa em suas histórias (os Itãs).



Por exemplo, Oxalá não aceita sal nem bebidas alcoólicas em suas oferendas, Ibeji gosta de alimentos doces, Obaluaiê gosta de dendê mas não de Sal, Nana não aceita que seus alimentos sejam cortados com faca (veja a importância de saber preparar da forma correta para cada Orixá).

Todo este ambiente mágico, regado a fortes e irresistíveis temperos, resultam numa das maiores riquezas culturais da Umbanda, do povo-de-santo, que com certeza influenciou e influencia a culinária brasileira. E pode ser aprendido, pode e deve, pois saber servir corretamente seu Orixá é saber agradar a um Pai/Mãe que muito te ama.

Trecho extraído do livro
Umbanda de Barracão
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Porque dar de comer ao santo.

Segundo o Velho Testamento,que é o livro de todas as raças, no inicio dos tempos Abel irmão de Caim recolhia a melhor parte dos seus frutos e de sua colheita para ofertar a DEUS PAI. Ai foi dado o exemplo de em agradecimento ou para pedirmos a benção de Olorum ofertarmos o melhor de nossos alimentos, pois o alimento é o que existe de mais sagrado no reino dos seres vivos, pois é o que permite a sobrevivência das espécies no planeta.


Dando continuidade a ABEL, tivemos também NOé que após o diluvio quando encontrou terra firme, ergueu um altar de pedras e ofertou alimentos a Olorum. UMBANDA,  de acordo com o ensinamento dos orixás , para agradecer ou pedir a benção dos orixás, também fazemos oferendas dentro da lei dos orixás.

A oferenda ao SANTO pode ser utilizada em diversas ocasiões, como homenagens, feituras de santo, rituais de limpeza, ebós, pedidos de socorro, para curar uma doen&ccedila e inúmeras outras situações.

Mas aqui fica um alerta ao povo de santo, nunca exagerem nas suas ofertas, pois para alegrar os orixás , não precisamos ofertar 21 pratos do MESMO AJEUM , conforme as vezes encontramos nas nossas matas e cachoeiras. Povo de santo pratiquem uma religião Ecológica . Na oferenda ao santo, na verdade estamos atraindo a força energética do orixá para nós, pois o santo é luz e poder e não come, nós é que precisamos do axé do orixá .

O Homem precisa da benção da natureza mas para isso a Natureza tem que ser preservada.

Os Orixás e suas comidas

Para o povo de santo, falar sobre as iguarias oferecidas aos seus Orixás não é o mesmo que informar sobre o cardápio de um dia de festa. Dizer as coisas que o santo come é quase como revelar um segredo, um espaço de foro íntimo de cada terreiro. A ausência de muitos pratos, a presença destes sem nomes, silêncios, lapsos de memória, muitas vezes, antes de ilustrarem um desconhecimento, constituem parte de um saber, muito especial, guardado pelos mais antigos na religião, a que só poucos tem acesso. Bastante impressionante o que certa vez ouvi de uma Yalorixá: “ a Yabassê é aquela que muito faz e pouco fala”.

O não falar insere-se no contexto onde a oralidade constitui um dos veículos mais fortes de transmissão do conhecimento, os chamados segredos, fuxicos de santo, ensinamentos rituais, fundamentais, na sua grande maioria balbuciados no ouvido do iniciado, ou passado em palavras incompreensíveis e fórmulas incompletas.

As comidas oferecidas no terreiro aparecem sempre como algo particular, pertinente àquela casa. Receitas pela metade, pratos sem nomes, queixas e justificativas somam-se, ao lado de recriações, a todo instante, no fogão dominado pela Yabassê.

Da áfrica, os Orixás vieram de diferentes lugares, antigos reinos africanos, muitos deles inimigos. Diferentemente das suas regiões de origem, o culto dos Orixás no Brasil, antes de estar ligado à uma família, uma confraria, foi ampliado e praticado num mesmo espaço. Destruída a família clânica, extensa, sua noção vai ser reconstruída no solo brasileiro como uma grande família teológica, chamada família de santo

Feijão Fradinho é uma semente que dá início a comida de vários orixás, o camarão está presente em todas os pratos, o dendê é o gerador do axé, santo quente ele esfria e santo frio ele esquenta, juntando estes ingredientes por exemplo temos o acarajé que é a comida tradicional de Yansã guerreira. Podendo também ser apreciado pela mais exigente dos gourmets apresentando uma degustação perfeita dentro da culinária dos orixás.


 
 
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